A força da cultura popular pernambucana acaba de atravessar o oceano Atlântico. Com a inauguração da primeira Loja do Artesanato de Pernambuco no exterior, situada no Instituto Pernambuco-Porto Brasil (IPPB), em Campo Alegre, na cidade do Porto, Portugal, o estado reafirma sua vocação para o protagonismo cultural e inaugura uma nova fase de internacionalização da sua identidade criativa.

Mais do que uma loja, o espaço representa uma verdadeira embaixada sensorial da arte popular nordestina. Cada peça carrega em si o fazer ancestral, a história coletiva e o simbolismo regional que tornaram o artesanato de Pernambuco uma das expressões culturais mais potentes do Brasil. Instalado em um dos países com os laços históricos mais profundos com o Brasil, o projeto estabelece pontes entre tradições e futuros possíveis — conectando a arte manual com o turismo cultural, a economia criativa e o intercâmbio entre nações lusófonas.

O que você encontrará neste post:
Um pedaço de Pernambuco no coração do Porto
A inauguração da Loja do Artesanato de Pernambuco marca um momento histórico para a cultura brasileira fora do país. Idealizada por meio de uma parceria entre a Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (ADEPE) e o IPPB, a loja foi concebida para ser mais do que um ponto de venda: é um espaço de afirmação cultural, contemplação estética e conexão afetiva.
Durante a cerimônia de abertura, autoridades brasileiras e portuguesas, artistas e representantes culturais celebraram o corte da fita. Camila Bandeira, Diretora-Geral de Promoção da Economia Criativa da ADEPE, e Zeferino Ferreira da Costa, presidente do IPPB, conduziram o momento simbólico. Também estiveram presentes nomes como o economista Carlos Martins e Zeferino Filho, da Construtora Vale do Ave.


“Através da loja, a comunidade local e os turistas terão a oportunidade de levar para casa a força e a beleza do artesanato de Pernambuco, que carrega histórias, territórios e tradições”, destacou Zeferino da Costa. A fala sintetiza o espírito da iniciativa: difundir o valor do fazer manual como manifestação viva da identidade popular.
A internacionalização do artesanato pernambucano também é, portanto, uma forma estratégica de reafirmar o papel da cultura como vetor de desenvolvimento, reconhecimento internacional e valorização das raízes.


A força da identidade cultural pernambucana
Um legado moldado à mão
A nova loja apresenta ao público europeu uma curadoria composta por mais de 150 peças criadas por mestres artesãos renomados do estado. Entre os nomes presentes estão Nicola, Marcos de Sertânia, Seu Heleno, Mestre Zuza, Luiz Benício e Cida Lima — artistas que representam a pluralidade de técnicas, linguagens e narrativas que formam o universo do artesanato de Pernambuco.
Cada peça é mais do que objeto: é uma extensão das mãos e da história de quem a criou. É barro que ganha forma em Caruaru, madeira talhada em Tracunhaém, tecidos bordados em Pesqueira ou couro esculpido no sertão. Ao reunir esses talentos sob o mesmo teto, o espaço exalta a diversidade e a potência estética do estado.


Tradição e contemporaneidade em diálogo
O artesanato de Pernambuco nunca foi estático. Ao mesmo tempo em que preserva tradições seculares, ele se reinventa constantemente. Essa fusão entre o passado e o presente está evidente nas obras expostas na loja, que transitam entre o folclórico, o sacro, o profano e o contemporâneo.
Ao lado de imagens de santos e bois do carnaval, é possível encontrar peças com design autoral e abstrações visuais que dialogam com as artes plásticas contemporâneas. Essa versatilidade amplia o alcance do artesanato e reafirma seu valor artístico e comercial — tanto para colecionadores quanto para turistas que desejam levar um pedaço simbólico do Brasil em suas bagagens.
A loja como espaço de experiência sensorial
Arquitetura e curadoria que contam histórias
Com 50m² de área, o projeto da loja foi assinado por Roberta Borsoi, que traduziu em arquitetura o espírito da cultura popular pernambucana. O ambiente foi desenhado para oferecer uma verdadeira imersão, criando conexões visuais, materiais e afetivas com o visitante.
O espaço não se limita à exposição de produtos. Cada objeto é valorizado com iluminação adequada, disposição estratégica e narrativas visuais que convidam à contemplação. A curadoria sensível e bem direcionada transforma o ambiente em um pequeno museu, onde o visitante pode tocar, explorar e se encantar com as múltiplas expressões do Brasil profundo.
O artesanato como embaixador cultural
Ao fincar raízes no território europeu, o artesanato pernambucano assume o papel de embaixador cultural. Ele passa a representar o Brasil em sua forma mais autêntica e simbólica — longe dos estereótipos, mas profundamente conectado às suas origens.
A loja permite que o público português e os turistas internacionais tenham acesso direto a uma produção artística que, muitas vezes, é restrita a feiras regionais no Brasil. Esse acesso expande não apenas o mercado para os artistas, mas também o entendimento global sobre a complexidade e a beleza da cultura popular brasileira.
IPPB — Um Instituto voltado para o futuro das culturas lusófonas
Muito além da loja
Fundado em 2022, o Instituto Pernambuco-Porto Brasil é uma instituição sem fins lucrativos que promove o intercâmbio cultural entre o Brasil, Portugal e os países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). A loja de artesanato é apenas uma das iniciativas do IPPB, que possui uma infraestrutura completa com salas modulares, auditório, galeria de arte e acervos permanentes.
Entre os destaques do espaço, está a escultura monumental de Francisco Brennand, que recepciona os visitantes logo na entrada — uma obra simbólica que sela a presença da arte brasileira em solo português. Nomes como Mestre Nuca, Ana das Carrancas e J. Borges também integram o acervo do instituto, fortalecendo a representatividade da arte popular pernambucana no cenário internacional.

Cultura como vetor de desenvolvimento
Economia criativa e valorização do território
A Loja do Artesanato de Pernambuco em Portugal também é um exemplo de como a cultura pode gerar impacto econômico positivo. O projeto fortalece a cadeia produtiva do artesanato, amplia as oportunidades de comercialização e estimula o reconhecimento profissional dos artistas envolvidos.
Além disso, promove a valorização do território, ao levar a identidade cultural de pequenas cidades do interior nordestino para o exterior. Cada peça vendida contribui diretamente para a sustentabilidade de comunidades artesãs, mantendo vivas tradições centenárias e incentivando novos talentos.
A economia criativa encontra, assim, uma forma eficaz de se projetar globalmente — não apenas como produto, mas como conceito, identidade e valor simbólico.
O artesanato que atravessa oceanos
A inauguração da Loja do Artesanato de Pernambuco no IPPB é mais do que uma conquista simbólica: é um marco de valorização cultural, reconhecimento internacional e diálogo entre povos que compartilham uma história comum.
Com ela, Pernambuco expande suas fronteiras culturais, dá visibilidade a seus artistas e projeta o artesanato como uma linguagem universal — que emociona, encanta e conecta. O Atlântico, que um dia foi caminho de dores e exílios, agora se transforma em ponte para a celebração da arte, da ancestralidade e da beleza.
Direto ao ponto
1. O que caracteriza o artesanato de Pernambuco?
É uma expressão cultural rica e diversa, marcada por técnicas tradicionais como cerâmica, talha em madeira, bordado e esculturas em couro, com forte ligação ao imaginário popular e religioso do estado.
2. Quais os mestres artesãos mais reconhecidos do estado?
Mestre Zuza, Ana das Carrancas, J. Borges, Luiz Benício, Cida Lima e Nicola são alguns dos nomes consagrados, com reconhecimento nacional e internacional.
3. Onde fica a nova loja do artesanato de Pernambuco em Portugal?
No Instituto Pernambuco-Porto Brasil, localizado na Rua das Estrelas, 143 – Campo Alegre, Porto, Portugal.
4. Qual o papel do IPPB na cultura brasileira?
Promover o intercâmbio cultural entre Brasil, Portugal e países lusófonos, com foco na arte popular, economia criativa e memória coletiva.
5. A loja vende para turistas?
Sim. A loja é aberta ao público de segunda a sexta-feira, e aceita diversos métodos de pagamento, incluindo Pix.
6. Como o artesanato contribui para a economia criativa?
Gera renda, preserva tradições, fortalece o território e amplia o reconhecimento internacional da produção cultural brasileira.
7. A loja também funciona como galeria?
Sim. Além de espaço de vendas, a loja é pensada como uma experiência cultural e sensorial, com curadoria e ambientação que valorizam as obras como peças artísticas.
Serviço – Loja do Artesanato de Pernambuco
Local: Instituto Pernambuco-Porto Brasil (IPPB)
Endereço: Rua das Estrelas, 143 – Campo Alegre, Porto/PT | C.P. 4150-762
Funcionamento: Segunda a sexta-feira, das 10h às 13h e das 14h às 17h
Pagamento: Cartão, multibanco, dinheiro e Pix
Contato: +351 226 008 224 / +55 41 99674-0243
Instagram: @institutopernambucoporto


