Design Week Milão 2018 por Diogo Viana

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2018 04 04 Retrato Diogo Viana @JOÃO PEDRO 2505 e1528898684106 300x293 - Design Week Milão 2018 por Diogo VianaEm meio ao frisson que é Milão durante o Design Week, o arquiteto Diogo Viana preparou uma garimpagem especial para a SIM! Em 15 anos de profissão, essa foi a sua quinta visita a cidade, sendo que em 2011 fez uma imersão de 3 meses com os sentidos totalmente voltados ao design, descobrindo singularidades dentro e fora do circuito. Com um olhar vibrante, criterioso e apaixonado pelo design, Diogo nos leva por Milão e suas novidades.

Buona passeggiata!

MILÃO, Lombardia

Tiago Selva Milão 2018.jpg foto 621x1024 - Design Week Milão 2018 por Diogo VianaRica, e com um respeitável centro financeiro, Milão é a cidade da moda e do design. A cidade foi gravemente afetada pelos bombardeios dos Aliadosdurante a Segunda Guerra Mundial, mas no pós-guerra teve um grande crescimento econômico, atraindo milhares de imigrantes do sul da Itália e do exterior. As mais bem sucedidas brands de moda, mobiliário e lifestyle estão por lá. A área urbana é a quinta maior da União Europeia, com uma população estimada em 4.300.000 habitantes.

Os bairros giram em torno da Catedral Duomo, um dos centros de compras mais antigos do mundo. Por lá, a Galeria Victorio Emanuelle, apesar do mundo de fast fashion, ainda tem marcas de peso e uma famosa loja de departamentos bem italiana, a La Rinacente. Quanto mais perto da Catedral de Duomo, mais caro, e mais disputados são os locais. O Metrô é uma mão na roda, tem que ficar perto dele, até porque existem várias áreas chamadas deDesign District, comoBrera, Durini, San Babila, Maroncelli…

Depois da paradinha para a foto da bela Catedral, é hora de descer ao subsolo da loja, onde existe a muitos anos o Design Market, com as peças mais hi-end do mundinho do design. Ainda vemos forte displays da Kartell, Pantone, Smag… E entre canetas e armações de óculos dos chamados new realease designers, dos quatro cantos do mundo, sempre alguma me chama atenção pela sua consagração no mercado. Este ano foi a italiana Seletti. Inovadora e comercializada fortemente no Brasil, inclusive em Recife, tinha muito o que mostrar, em se falando de objetos de decoração.

O Isalone, que é o Salão de Design, em um Centro de Convenções e Eventos, é enorme. Mas, para mim o Fuori Salone, que é a união de todos os eventos paralelo ao Salão, é o melhor da Design Week, na Design City.


Salão do Design – Salone del Mobile Milano

A Feira de Milão atrai anualmente milhares de pessoas que vão em busca do que serão as tendências no mercado. A dica é fazer uma triagem, privilegiar a sua procura. No meu caso, arquiteto especificador final, dou prioridade às marcas-fábricas, as quais eu mais me identifico com o conceito e linguagem, e lá, não são poucas.

Showroom da Moura no Salão de Móvel de Milão 2018
Showroom da Moora no Salão do Móvel de Milão 2018. É notável encontrar os trabalhos de designers brasileiros distribuídos em vários estantes e perceber o quanto o país já faz parte do mercado internacional. Foto: Diogo Viana

Vitra, Kartell, Moroso, Flexform, Rimadesio, Poltrona Frau, Misura Emme, Magis, Edra, Knoll… São dezenas. Descobri marcas novas como a italiana TRABA e a Moora, só com a nova geração dos designers brasileiros como Facucz, Maurício Arruda, Zanine de Zanine, Latoog e Virgula Ovo. Mega showrooms como os da Flexform, Rimadesio e Misura Emme trouxeram peças com o grau máximo de acabamento, expostos em uma cenografia de tendência, cenário cinza e preto, pouca luz, pedraria natural e madeira natura.

A Vitra, que tem como carro chefe seu mobiliário eterno, mid-century, resgatou acabamentos antigos e cores não muito usadas. Embora eu já tenha visto showrooms mais belos em outros salões da fortíssima fábrica, ela ainda conseguiu mixar cores com perfeição.

A Edra, aquela que tem os Irmãos Campana como seus designers estrelas, abusou do cenário espelhado, sem poupar extravagância. Podia se ver todas as cadeiras famosas, objetos de desejo de colecionadores (na maioria deles do mundo da arte), até a Cadeira Vermelha, aquela das cordas, na versão dourada brilho.

Lembro que visitar o showroom da Kartell foi uma experiência inesquecível, eles ousaram muito, algo bem jovial. O designer Philippe Starck e Patricia Urquiola reinaram, com muito colorido, com muita luz, design bem ousado e nomes de peso. Me pareceu mais madura na forma como se apresentou, recepcionando com a frase “Smart design for smart people “, “design inteligente para pessoas inteligentes”. Ela se reinventou, deu um tapa na cara das cópias chinesas, que queimaram várias peças maravilhosas. A China copiou mal, vendeu a preço de banana… Agora a marca se apresentou em um showroom limpo, com caráter didático, falando de sustentabilidade, com peças novas, efeito madeira, sem perder as características da Kartell. Assim como as tradicionais, re-valoriza suas pérolas, e traz novidade. A estilista milanesa J.J.Martin, com sua La Double J, assina estampas exclusivas, coloridas e vintage, estilo casa da vovó dos anos 60, para poltronas, puffes, etc… Lançaram tendência!

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Show Room da Kartel no Salão de Móvel de Milão em 2018. Foto: Tiago Selva

Fuorisalone

Durante o Fuorisalone, muitos locais se tornaram co-protagonista do evento, com horários de funcionamento mais longos, chegando até a roubar o show dos produtos ou itens exibidos. Antigos espaços industriais, edifícios históricos geralmente fechados ao público, pátios escondidos, oficinas artesanais e showrooms de moda foram além do conceito de fundo e interagiram com o seu conteúdo, tornando-se uma instalação dentro de uma instalação. Além disso, durante a Semana de Design de Milão, muitas marcas importantes localizadas nos distritos de design apresentaram suas novas coleções e organizaram eventos especiais com música ao vivo e entretenimento. Embora as atividades estivessem espalhados pela cidade, o Fuorisalone reconheceu uma série de distritos principais, distinguidos pelo endosso do Município de Milão.

Elegi este ano as zonas Brera Design District, Durini Design Districte a Via Tortona e Savona para andar e entrar em todas as portas que me chamaram a atenção. O resultado disso foi muita bagagem visual de design e mobília. E algumas comprinhas…

As grandes marcas entram no circuito Fuorisalone com mapas, aplicativo e uma longa e agitada programação. Meus escolhidos foram as exposições permanentes da marca Moooi, Paola Lenti, Galeria Rossana Orlandi, o Hermés Home, a instalaçãoBvlgari, no prédio da Statale di Milano – Università degli Studi di Milano, que reuniu uma série de eventos simultâneos, a expo Be Brasile a Fondazione Prada. Entre estes pontos, encontravam-se dezenas de showrooms do mais variado mobiliário, das tradicionais as iniciantes marcas.

 

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Moooi salão do móvel de Milão 2018. Foto: Diogo Viana

A Moooi foi um espetáculo! A marca holandesa de peças de design e tapeçaria criada por Marcel Wanders, designer veterano e sempre surpreendente, buscou inspiração nos animais já extintos para sua nova coleção. Os designers da marca fuçaram museus pelo mundo e escolheram 10 bichos que um dia já caminharam sobre a Terra e se basearam na característica das penas, na combinação de cores e na textura da pele original dos animais para “trazê-los de volta à vida”. No espaço do Distrito de Design de Tortona, cada ilha de produto foi a interpretação de um animal diferente. De toda a nova coleção, o papel de parede é o grande destaque. Feito em parceria com a empresa Belga Arte, ele tem uma textura deliciosa, similar ao veludo. Trouxe uma floresta tropical, vibrante, luxuosa e com os animais extintos espalhados.

Paola Lenti investiu numa mostra assinada pela designer fora dos distritos, com transfer próprio para levar e trazer os visitantes e saída no Brera. A empresa empregou sua energia criativa em elementos primários, letras de um alfabeto imaginário no qual as palavras foram transformadas em objetos de decoração, móveis originais e texturas únicas que se misturaram nos espaços que hospedaram ritmo, forma, limpeza e equilíbrio. A linguagem de Paola Lenti através das muitas expressões de beleza revelou-se mais uma vez, em particular, na escolha cuidadosa e corajosa dos acabamentos.

A Cassina inaugurou um novo interior assinado pela diretora de arte Patricia Urquiola. Uma entrada com um caminho em terraço veneziano que conduz a uma escadaria escultural, levando à cúpula, agora aberta para criar um espaço externo que trouxe mais luz natural para a área de exibição. O famoso e clássico sofá Maralunga ganha a vitrine do showroom da Via Durini. Quarenta e cinco anos após o lançamento do original, e depois do Maralunga 40 e sua variante, o 40S com capas de tecido removível, o sofá retomou o palco com as proporções atualizadas e o visual renovado, tornando-se ainda mais elegante e confortável do que antes. Maralunga 40 Maxié uma versão contemporânea deste lendário best-seller da Cassina, que detém a patente tecnológica do dispositivo – uma corrente de bicicleta – que ajusta o ângulo do encosto. Com acabamento da costura de ponta refinado como padrão, a poltrona inaugurou um novo tamanho para seu tipo: 122 cm. Enquanto isso, o sofá de dois lugares veio em 214 cm e os de três lugares medindo 310 cm. A profundidade aumentou para 105 cm, numa posição sentada mais convidativa e confortável. Todos os modelos podem ser equipados com uma almofada de assento cheia de penas em um novo tamanho para melhorar a correção ergonômica.

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Sofá Maralunga 40 maxi.

Uma curadoria surpreendente na Galleria Rossana Orlandi! Vi peças que jamais imaginava e o mercado lotou para ver quem serão os próximos nomes que vão explodir no mundo do design. Isso porque Rossana Orlandi é uma das pessoas mais influentes na previsão de jovens e futuros designers. A galeria foi inaugurada em uma antiga fábrica de gravatas no bairro Magenta como Spazio Rossana Orlandi. O foco estava no design holandesa em ascensão, com designers como Piet Hein Eek, Maarten Baas e Nacho Carbonell. A pesquisa ampliou para todo o mundo, criando um catálogo que reflete as cenas mais inovadoras da Europa à Ásia e América. O espaço foi articulado de forma não tradicional, misturando um showroom, uma loja de varejo, escritórios e um pátio para eventos e reuniões. A Galleria revolucionou a forma de apresentar peças de design art mostrando-as sempre em ambientes reais, exibidas em conjunto com diferentes tipos de produtos para recriar situações reais da casa. Para isso, aproveitou a sua própria estrutura física, composta por salas diferentes em vários andares, todas em torno de um pátio florido. O espaço também se tornou um local perfeito para eventos corporativos e culturais com diferentes possibilidades em termos de ambientes, instalações e conteúdo.

Galeria Rossana Orlandi - Design Week Milão 2018 por Diogo Viana
Na Galleria Rossana Orlandi,os próximos nomes que vão explodir no mundo do design. Foto: Tiago Selva.

A Hermès Home apresentou as novas coleções caseiras no Museo Della Permanente, compreendendo uma eclética linha de objetos, móveis, tecidos e papéis de parede. A série 2018-2019 para a casa foi colocada em um projeto arquitetônico concebido por Charlotte Macaux Perelman, diretora co-artística da Hermès Maison em conjunto com a Alexis Fabry. Cores, materiais e artesanato foram expressos em sete estruturas arquitetônicas inteiramente cobertas com zellige marroquino, uma pequena peça quadrada feita de faiança de vidro. Os visitantes ficaram “imersos em cores” enquanto percorriam a instalação.

Pela primeira vez no Fuorisalone de Milão, tivemos a Bvlgari Home. O projeto ocorreu em três locais diferentes: uma instalação de 1000 metros quadrados no Brera Design District, um Mirror Cubeno jardim do Bvlgari Hotel Milano e um ambiente imersivo que permitiu aos hóspedes celebrar a coleção B.zero1 na Galeria Boutique Montenapoleone. A instalação interativa no Brera traduziu três elementos-chave da criatividade Bvlgari: materiais, modularidade e cor. Isso num espaço tridimensional, interpretado por três ícones do mundo do design e da arquitetura: Iván Navarro e Courtney Smith, MVRDV e Storagemilano.

Vários expositores brasileiros acabaram se reunindo ao longo da Via Maroncelli, que, por sinal, virou reduto do país dentro do Maroncelli Design District, no Fuorisalone. Lin Brasil, responsável por reeditar as peças marcantes de Sérgio Rodrigues, estava com um espaço super lúdico: banquinhos Mocho em gangue, cadeiras suspensas, fotos de obras do designer e um carpete com linhas orgânicas que chamou a atenção pela cenografia. Ao lado, em um grande edifício amarelo(!), vem a exposição BE Brasil – Apex, que fez uma viagem pelos clássicos modernos dos gigantes da arquitetura e design brasileiros como Oscar Niemeyer, Paulo Mendes da Rocha, Lina Bo Bardi, Jorge Salszupin e Sérgio Rodrigues. A Be Brasil também trouxe esses novos nomes: Leandro Garcia, Jader Almeida, Guto Índio da Costa, Alva Design, Márcio Kogan, entre outros. A Via Maroncelli guardou ainda a loja-galeria da Etel, que reeditou o mobiliário de nomes mais contemporâneos do Brasil, como Arthur Casas e Isay Weinfeld, como também de mestres do modernismo. Isso sem falar das bandeirinhas instaladas em parte da rua, assinadas por Marcelo Rosenbaum junto a algumas tribos brasileiras.

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