Peça de mobiliário em madeira com formas circulares e retas, fotografada no meio da mata e também sobre parede clara com sombras projetadas.
Coleção Brasilis Vinícius Rosaneli para Patio Brasil 01

Coleção Brasilis: Vinícius Rosaneli estreia no design com 7 peças inspiradas na fauna brasileira

A Coleção Brasilis marca a estreia do arquiteto e designer de interiores Vinícius Rosaneli no universo do design de mobiliário. Assinada para a Patio Brasil, a coleção reúne sete peças em séries limitadas, concebidas a partir de referências da fauna brasileira. O lançamento acontece no dia 22 de setembro, das 10h às 19h, na loja da Patio Brasil, na Alameda Gabriel Monteiro da Silva, em São Paulo.

A data não foi escolhida ao acaso. O dia 22 de setembro é o Dia Nacional em Defesa da Fauna, e a coincidência reforça o vínculo entre o trabalho de Rosaneli e a biodiversidade que o inspira. Assim, o vernissage se transforma em uma celebração dupla: a estreia do designer no mercado de mobiliário autoral e um tributo direto às espécies que batizam cada peça.

Fauna brasileira como ponto de partida

Em um exercício de síntese e interpretação, Vinícius Rosaneli transforma referências do mundo animal em peças de caráter escultórico e colecionável. A inspiração nas espécies vai além da forma: amplia a reflexão sobre os ambientes que essas espécies habitam e sobre a biodiversidade da qual fazem parte. Dessa conexão nasce o conceito de “Território Vivo”, que entende o Brasil não apenas como delimitação geográfica, mas como uma trama de paisagem, cultura e permanência.

Composta por sete peças, a coleção reúne o Banco Tamã, inspirado no tamanduá-bandeira; o Banco Muriqui, referência ao macaco-muriqui; as mesas de centro Tinga e Piranga, associadas ao jabuti-tinga e ao jabuti-piranga; a Poltrona Preguiça; além da Mesa Esperança e da Cadeira Esperança. Cada nome carrega, portanto, uma homenagem direta a um animal brasileiro, e cada desenho traduz esse repertório em volume, proporção e estrutura.

Peças em madeira e pedra da coleção assinada por Vinícius Rosaneli são fotografadas em meio à vegetação nativa e cactos, sob luz natural.
Peças em madeira e pedra da coleção assinada por Vinícius Rosaneli são fotografadas em meio à vegetação nativa e cactos, sob luz natural.

Materialidade e linguagem construtiva

Os móveis da Coleção Brasilis revelam formas puristas, com geometrias reduzidas à essência. A linguagem minimalista enfatiza proporção, volume e materialidade no encontro entre madeira, quartzitos e metais. Assim, contrastes entre quente e frio, peso e leveza, superfície e estrutura conduzem a experiência de cada peça, que dialoga tanto com a escala doméstica quanto com um caráter mais escultórico.

Os detalhes construtivos assumem papel central nesse processo. Encaixes de madeira e forquilhas aparecem como referências reinterpretadas em uma linguagem contemporânea, estabelecendo paralelo direto com princípios do modernismo brasileiro — sobretudo na valorização da estrutura, da matéria e da clareza formal. Não à toa, madeira, pedra, metal, vidro e lona se combinam em soluções que alternam peso e leveza com precisão construtiva.

Um olhar sobre Brasilis, por Clarissa Schneider

Quem conhece Vinícius Rosaneli percebe logo que ele pensa rápido, repara em tudo e está sempre alguns passos adiante. Talvez por isso tenha tanta graça que sua primeira coleção de móveis traga justamente uma tartaruga e um tamanduá, dois bichos que parecem viver em um outro compasso.

Segundo Clarissa Schneider, o autor não reproduz os animais: ele os transforma em desenho. A tartaruga vira uma forma baixa, circular e próxima do chão, presente nas mesas de centro. Já o tamanduá aparece na extensão do banco comprido, em seu corpo horizontal e na terminação alongada que remete ao focinho do animal. Em outras peças, no entanto, a referência à fauna é menos evidente, manifestando-se apenas nos apoios e nos equilíbrios estruturais.

Imagens: @paolayrenato_
Imagens: @paolayrenato_

A crítica destaca ainda a Mesa Esperança e a Cadeira Esperança como peças em que a construção fica mais aparente, com encaixes e tensões que revelam o pensamento do arquiteto. Nelas, cada material cumpre uma função específica, guardando soluções engenhosas que reforçam a coerência do projeto como um todo.

Paulista radicado na Bahia e apaixonado pela natureza, Rosaneli estreia no design justamente com um conjunto que sintetiza sua trajetória: inteligência construtiva, humor e um olhar particular sobre o mundo. Dessa forma, a Coleção Brasilis se consolida como uma extensão natural de uma pesquisa que já estava presente em sua atuação na arquitetura e nos interiores, agora traduzida em objetos autorais e colecionáveis.

Para além do exercício formal, Brasilis reafirma um movimento crescente no design autoral brasileiro: o de tratar o mobiliário como narrativa cultural, e não apenas como objeto de uso. Ao eleger a fauna nacional como fio condutor, Vinícius Rosaneli propõe uma experiência sensorial que ultrapassa a função doméstica, convidando quem observa a reconhecer, em cada curva e encaixe, um pedaço da paisagem brasileira. É esse gesto — transformar repertório natural em vocabulário construtivo — que confere à coleção seu caráter autoral e, ao mesmo tempo, sua vocação de peça colecionável.

A escolha da Patio Brasil como parceira para essa estreia também não é fortuita: a loja reúne há anos um repertório de design autoral brasileiro contemporâneo, funcionando como vitrine natural para propostas que dialogam entre arquitetura, artesania e pesquisa material. Ao acolher Brasilis em seu espaço na Alameda Gabriel Monteiro da Silva, a marca reforça seu papel de plataforma para novos nomes do design nacional, criando um ambiente propício para que o público experimente as peças de Rosaneli em contexto — percebendo escala, textura e os jogos de luz que a madeira, a pedra e o metal estabelecem entre si.

Vale notar que a Poltrona Preguiça, embora não detalhada com a mesma profundidade crítica que as demais peças, segue a mesma lógica de tradução formal: a lentidão e o conforto associados ao bicho-preguiça encontram eco em um desenho que privilegia o acolhimento e a permanência do corpo. É essa coerência entre nome, gesto e material que sustenta a coleção como um conjunto, e não como peças isoladas — cada item reforça o repertório do outro, compondo um vocabulário único que atravessa toda a Coleção Brasilis.

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