A partir de quinta-feira, 17 de setembro, a Torre Malakoff, no Bairro do Recife, recebe Padrão Reativo, exposição que reúne três dos nomes mais consolidados das artes plásticas de Pernambuco em torno de um material comum: a cerâmica vitrificada. Christina Machado, José Paulo e Mauricio Castro assinam painéis nascidos de um processo coletivo e experimental, com curadoria de Julio Cavani. A mostra fica em cartaz até 15 de novembro e chega ao Recife depois de uma primeira passagem pela cidade de Floresta, no interior do estado.
Mais do que uma exposição de peças finalizadas, Padrão Reativo é o registro de um encontro. Há dois anos, os três artistas se reúnem semanalmente no Atelier das Águas Belas, comandado por Christina Machado, para testar técnicas, materiais e possibilidades em comum. Dessa convivência recorrente, marcada pela amizade e pela troca, surgiram os painéis que agora ocupam a Torre Malakoff — um dos espaços culturais mais visitados do Recife.
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O processo por trás da cerâmica vitrificada
Nos encontros semanais, cada artista pinta e desenha sobre placas quadradas de argila, aplicando pigmentos misturados a micropartículas de vidro. Em seguida, as peças vão ao forno, onde a alta temperatura provoca reações físico-químicas que transformam a superfície: brilho, textura orgânica e efeitos que, muitas vezes, surgem por acaso. É esse encontro entre intenção e imprevisto que dá nome à mostra.
Assim como acontece com azulejos tradicionais, as placas de cerâmica vitrificada podem ser remontadas em diferentes combinações. Por isso, os painéis de Padrão Reativo não têm uma composição fixa: a cada exibição, a disposição das peças pode mudar, criando novas leituras visuais para o mesmo conjunto de obras.

O título do projeto joga justamente com essa dualidade entre ordem e acaso. De um lado, o padrão está na geometria repetida das placas; de outro, a reação está no imprevisto provocado pelo calor do forno. Para o curador Julio Cavani, o nome também pode ser interpretado como uma resposta às padronizações do cotidiano contemporâneo — ou como uma tentativa de conciliar o caos com a organicidade da natureza.
Christina Machado, José Paulo e Mauricio Castro agem de forma independente, mas trabalham coletivamente.

A frase, escrita por Cavani no texto curatorial, resume bem a proposta da exposição. Apesar do ateliê, dos procedimentos e dos materiais em comum, cada artista preserva uma linguagem própria, o que faz de Padrão Reativo um exercício de convivência entre identidades distintas dentro de um mesmo processo criativo.
Três linguagens, um mesmo método
É justamente nas individualidades que o método comum se desdobra em obras bem diferentes entre si. Christina Machado parte de marcas feitas com as próprias mãos, repetidas ao longo dos painéis em referência a abraços, encontros e vínculos familiares, sobretudo maternais. Sua pesquisa em argila atravessa esculturas, pinturas, vídeos e performances, sempre aproximando corpo, afetos e questões coletivas.
José Paulo, por sua vez, constrói composições com explosões, linhas e círculos que remetem a estruturas atômicas, moleculares ou astronômicas. Com 40 anos de carreira, o artista recifense já havia explorado a cerâmica em projetos anteriores, como Corgo, Repetir Repetir Repetir, Ocupe Chris e Quimera — e retoma o material agora em Padrão Reativo.

Já Mauricio Castro cria formas biológicas fictícias, que se ramificam e avançam pelas paredes como organismos em expansão. Iniciada nos anos 1980, sua trajetória é marcada pela formação de coletivos e ateliês independentes em Pernambuco, entre eles Quarta Zona de Arte, Atelier Submarino, Branco do Olho, Peligro, Gráfica Lenta e Galeria Maumau. Sua produção passa por pintura, gravura, desenho, vídeo e intervenções urbanas, sempre articulando gesto, matéria e experiência coletiva.
De Floresta ao Recife
Antes de chegar à Torre Malakoff, Padrão Reativo passou pela Galeria Casa Pedra Branca, na cidade de Floresta, no interior de Pernambuco, onde abriu em 20 de junho em homenagem aos 119 anos de emancipação do município. Agora, no Recife, a mostra ganha um novo público e um novo espaço para se reinventar — já que, como as placas podem ser remontadas, cada exibição resulta em uma composição distinta dos painéis.
Para outubro, está prevista ainda uma visita guiada com mediação do curador Julio Cavani e presença dos três artistas, com interpretação em Libras. A data específica ainda não foi definida, mas a ação reforça o compromisso da mostra com a acessibilidade e com a aproximação entre público e processo criativo.
Uma equipe grande para um projeto coletivo
A montagem de Padrão Reativo envolve, além dos três artistas e do curador, mais de dez profissionais. A coordenação geral é de Christina Machado, e os projetos expográficos são assinados por José Paulo. Lúcia Padilha coordena as ações educativas, enquanto Clarice Hoffmann responde pela produção executiva.
A queima das obras foi realizada no Atelier das Águas Belas, com suporte do Ateliê de Molduras Gerson Vitor, e a montagem fina ficou a cargo da KBedim & Mago Ferreira Projetos e Produção Cultural, com a equipe formada por Egeneson Ferreira, Ewerson Gonçalves, Rômulo Nascimento e Reinaldo Marinho Neto. A trilha sonora é assinada por DJ Um Cara Massa, e a iluminação, pelo próprio Mauricio Castro.

Completam a ficha técnica o projeto gráfico de Olívia Morim, o registro fotográfico de Josivan Rodrigues e a gestão de mídias sociais de Júlia Meira. A assessoria de imprensa é da Verbo Assessoria de Comunicação, enquanto as ações de acessibilidade — audiodescrição e Libras — ficam a cargo da COM Acessibilidade Comunicacional. O projeto conta ainda com apoio da Número Galeria e da Compare Distribuidora, além de incentivo do Funcultura, da Fundarpe, da Secretaria de Cultura e do Governo do Estado de Pernambuco.
Serviço
Padrão Reativo reúne Christina Machado, José Paulo e Mauricio Castro, com curadoria de Julio Cavani. A abertura acontece em 17 de setembro de 2026, quinta-feira, às 19h, na Torre Malakoff, no Bairro do Recife. A visitação segue de 18 de setembro a 15 de novembro de 2026, de terça a sexta, das 10h às 17h, e nos sábados e domingos, das 14h às 18h.


