20180927 MarceloKahn 7599 Easy Resize.com  1280x494 - Projeto de duplex aposta na união do estilo minimalista e clássico

Partindo do zero o escritório de arquitetura Salles Aldworth, projetou um Duplex, em São Paulo, que teve como objetivo realizar o desejo dos proprietários do local que é receber amigos e familiares, “Recebemos o apartamento assim que ele foi entregue pela construtora. Havia apenas o piso da área molhada e o forro de gesso”, conta a arquiteta Fiorella Aldworth.

foto projeto duplex Foto: Marcelo Kahn
A parede entre a sala e a cozinha foi demolida para promover a integração entre os ambientes ( Foto: Marcelo Kahn)

A principal intervenção ocorreu no piso inferior, onde estão a sala, uma cozinha para o dia a dia, área de serviço e três quartos. A escada original foi removida e uma nova, de metal e patamar de madeira, foi instalada. Já a parede entre a sala e a cozinha foi demolida para promover a integração entre os ambientes. A marcenaria planejada é destaque em todos os espaços. “O casal tinha a preocupação com a quantidade de armários. Por isso, fizemos a marcenaria planejada para aproveitar melhor todos os espaços. Um dos motivos para demolir a escada, além de ampliar a entrada, foi também criar um armário e um depósito nessa área”, conta Fiorella.

foto projeto duplex Foto: Marcelo Kahn
Projeto de duplex mostra o contraste entre o clássico e o moderno (Foto: Marcelo Kahn).

Em relação aos acabamentos foi necessário unir os estilos minimalista e clássico. “No piso, colocamos porcelanato que simula o cimento queimado e na parede dupla apostamos no próprio material. Ao mesmo tempo, o cliente fazia questão de colocar seus tapetes persas. Cinza, branco, amarelo e tons de azul foram as cores escolhidas para os dois andares”. A escada foi refeita com metal e patamar de madeira. O painel ripado é, ao mesmo tempo decorativo e recurso para esconder um armário.

foto projeto duplex Foto: Marcelo Kahn
Ganha destaque no projeto a cozinha gourmet feita para receber amigos e familiares ( Foto: Marcelo Kahn).

No pavimento superior, destacar o convívio social foi a prioridade. Neste andar, fica a piscina e, por isso, o lavabo ganhou ares de vestiário. Há também uma sala com área de TV e, por fim, o grande destaque do projeto: a cozinha gourmet, com churrasqueira, forno de pizza, mesa de jantar e bancada resistente para todos os tipos de preparações. “Criamos um ambiente que funciona tanto para o churrasco como para um jantar mais elaborado”, diz.

foto projeto duplex Foto: Marcelo Kahn
Iluminações pontuais fizeram toda a diferença neste projeto ( Foto: Marcelo Kahn).

O projeto apostou nos pontos de cor em comum para promover a unidade do espaço, com nuances de azul como principal recurso. Sobre a iluminação, o casal não quis nada automatizado. Foi usado muito LED e luz dimerizada.

unnamed 4 1346x494 - Anote as dicas para montar uma Varanda Gourmet

As varandas são responsáveis por imprimir um ar de liberdade aos dias corridos das pessoas. Grandes ou pequenas, elas são verdadeiros coringas dentro dos apartamentos. Mas já pensou em unir um espaço agradável a boa gastronomia e diversão? Cada dia cresce mais a inserção das famosas varandas gourmets, por isso separamos algumas dicas da arquiteta Karina Korn para você que está pensando em montar um espaço como esse na sua casa.

Pegue um bloquinho e anote as dicas!

Estilo da varanda:

varandas gourmets foto divulgação
As varandas são responsáveis por imprimir um ar de liberdade aos dias corridos das pessoas (Foto: divulgação).

“É importante que a decoração da varanda gourmet converse com o restante da casa. Isso pode ser feito de diversas formas, a mais comum sendo o uso da paleta de cores análogas”. Outra dica que Karina destaca está relacionada à integração visual com a nivelação do piso. “Uso o mesmo piso no living e varanda e também considero o uso portas de vidro”, conta. Assim, os ambientes se conectam quando necessário, mantendo sua independência estrutural.

Churrasqueira:

varandas gourmets ( Foto: divulgação).
As varandas se tornaram um espaço agradável que alia boa gastronomia e diversão (Foto: divulgação).

“Cada tipo de varanda gourmet tem um modelo de churrasqueira mais apropriado para o seu espaço e configuração. O modelo com carvão costuma ser o preferido de quem gosta de uma boa carne e oferece uma boa durabilidade. Apesar disso, requer uma série de soluções para escoamento da fumaça intensa que produz, como dutos e circulação de ar. Já a churrasqueira elétrica, tipo grill, é mais moderninha, além de compacta e portátil. Precisa apenas do ponto de alimentação de energia elétrica e de uma bancada para habitar”.

Bancadas:

varandas gourmets foto divulgação
Grandes ou pequenas, as varandas se transformaram em verdadeiros coringas dentro dos apartamentos (Foto: divulgação).

“Não existem elementos obrigatórios na varanda gourmet. O definidor é sempre a prioridade do morador, queira ele um espaço para churrasco, para tomar cafés, ou apenas para confraternização. Apesar disso, a bancada é sim um requisito para o ambiente ideal. Nas varandas pequenas, ela substitui a mesa de refeições, reunindo quem cozinha e os convidados acomodados em suas charmosas banquetas. De acordo com a metragem, ela pode vir acompanhada ou não de cooktop e pia. Quando há mais espaço, a bancada convive bem com mesas nas mais diversas configurações, assumindo o papel de espaço para finalização de preparos e estação de equipamentos, com bar de café ou frigobar, por exemplo”.

Dica extra:

“Tijolinhos trazem a sensação de aconchego e, junto de plantas, por exemplo, aproximam esse espaço da decoração de um ambiente externo. Jardins verticais aliam a otimização da varanda à beleza dos elementos naturais, enriquecendo o ambiente. A madeira é outra aliada e está presente em móveis como a mesa de jantar ou de apoio. O material ainda pode aparecer nos revestimentos, por meio do uso de porcelanatos que imitam seus tons e texturas, com a vantagem da resistência aos respingos de água e gordura que podem acontecer durante o preparo de alimentos”.

 

CrisSchiavoni RuaPiracuama RafaelRenzo 3 70 1024x494 - Cores neutras e muita textura em um projeto de cobertura de 267 m²

Uma cobertura de dois andares, com cerca de 267 m², foi o desafio encontrado pela arquiteta Cristiane Schiavoni, que planejou o lar de uma família, formada por um casal e seus dois filhos de três e seis anos. “A planta não atendia às necessidades do cliente e por isso foi praticamente refeita. Apesar da boa área disponível, os ambientes eram pequenos e compartimentados”, conta a a arquiteta. O pontapé inicial foi demolir a parede entre a sala e a antiga varanda frontal para criar o grande espaço de receber. O ambiente composto por sala de jantar e estar foi projetado em uma paleta neutra, em que predominam os tons fendi, branco e preto. O turquesa entra em cena para quebrar a monotonia.

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A arquiteta Cristiane Schiavoni teve como desafio planejar uma cobertura de dois andares, com cerca de 267 m² ( Foto: Rafael Renzo).

O home theater, espaço de convivência da família, conta com um enorme sofá que acomoda a todos. Para valorizar o ambiente e garantir maior o conforto visual, a arquiteta apostou em um diferente projeto de iluminação. “Os circuitos de iluminação proporcionam cenários diversos, inclusive luz indireta para deixar o ambiente aconchegante e convidativo. O forro de gesso foi executado com placa acústica para conferir isolamento acústico sob medida”, explica Cristiane, que desenhou ainda o armário sob a escada.

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O espaço de convivência da família foi pensado para levar muito conforto aos moradores ( Foto: Rafael Renzo).

Na área íntima, a suíte master surgiu após a junção com a varanda, ampliando assim a metragem do espaço do casal. No banheiro do casal, o boxe e a bancada ficaram bem espaçosos, enquanto a grande cuba com dois misturadores facilita a rotina dos dois.

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União de espaços proporcionou um quarto mais amplo para o casal ( Foto: Rafael Renzo).

Já o quarto do filho mais novo, foi projetado para perdurar por muito tempo. A cama e a bancada de estudos atendem a qualquer idade, enquanto os nichos e os armários podem ser trocados a qualquer momento, conforme mudem as necessidades.

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O quarto do filho foi pensado para que o espaço seja aproveitado durante todas as fases da criança ( Foto: Rafael Renzo).

O quarto da menina, tem espaço de sobra para que ela possa brincar e receber as amiguinhas. Como conta com um closet, não precisou acomodar armários.

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Tons neutros e muita elegância no quarto da menina (Foto: Rafael Renzo).

A cozinha, outro desafio da reforma, passou por mudanças. Já que a porta de acesso à área social ficava em frente ao elevador, a arquiteta reposicionou a entrada, abriu uma porta para o home theater, ambiente isolado do living, e outra diretamente para a sala de jantar.

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Na cozinha, a arquiteta reposicionou a entrada para melhorar e ampliar o espaço (Foto: Rafael Renzo).

O destaque do cômodo ficou por conta da área para refeições do dia a dia, em que o porcelanato geométrico e a mesa vermelha roubam a cena. Armários e bancada foram planejados sob medida em diversos tons de cinza para não competir com o restante dos acabamentos.

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A área gourmet não existia na planta original e se tornou um dos espaços queridinhos da casa ( Foto: Rafael Renzo).

Por fim, a área gourmet que não existia na planta original. A arquiteta começou pela criação da cobertura com estrutura metálica, além de fechar os vãos com janelas. No pé-direito duplo, um teto de vidro que permite a entrada de luz. Para ter praticidade, a varanda gourmet reúne todos os utensílios necessários, como cooktop, forno elétrico, geladeira, churrasqueira e forno a lenha.

 

Serviço: 

Cristiane Schiavoni arquitetura e interiores
Fone: (11) 3649 4900
www.cristianeschiavoni.com.br
@cristianeschiavoni

LoftKorman 130 HDR 1024x494 - Loft em São Paulo destaca o estilo industrial

O escritório Korman Arquitetos deu início a um projeto de um loft, em São Paulo, com o intuito de criar um ambiente para um jovem rapaz que saiu da casa dos pais e partiu para viver sozinho em sua primeira morada. O trabalho foi ressaltar o estilo industrial por meio da decoração. Na área interna, que conta com um total de 85 m², a arquiteta Carina Korman trabalhou elementos para valorizar o imóvel e deixar com o perfil do morador: jovem, moderno e masculino.

projeto Korman Arquitetos
Cores discretas, peças de design assinado e soluções desenhadas pelo próprio escritório no loft em São Paulo (Foto: @jp.image) .

Na área interna, Carina apostou em cores discretas, peças de design assinado e soluções desenhadas pelo próprio escritório, como móveis e até mesmo a porta preta, atrás do balcão da cozinha, que esconde a pequena área de serviço.

Na sala de estar, amplitude e conforto para receber os amigos. Na cor cinza, o sofá da Franccino integra a composição com a poltrona de madeira e estofado de linho, no tom cinza claro. Ao lado, a mesinha em formato rolha, da Micasa, funciona também como banquinho. O móvel preto da televisão foi projetado pelo escritório e acompanha o grande destaque da sala: a poltrona Paulistano, do designer Paulo Mendes da Rocha.

projeto Korman Arquitetos
O escritório de arquitetura optou por soluções para otimizar a área da cozinha (Foto: @jp.image) .

Na pequena cozinha, o escritório destaca suas soluções para pequenos espaços: em madeira preta, a porta de correr esconde a mini área de serviço com tanque, máquina de lavar e boiler de aquecimento. Quando aberta, esconde a geladeira. Além disso, a marcenaria ainda contempla nicho para o forno micro-ondas. Na bancada, posição para três lugares com a cadeira Panton, do designer dinamarquês Verner Panton.

projeto Korman Arquitetos
Peças de design assinado e soluções desenhadas pelo próprio escritório ganham destaque no projeto (Foto: @jp.image) .

Embaixo da escada, o louceiro foi concebido para receber as louças. Situada no andar superior, a suíte apresentava a versão original de um banheiro fechado e sem janela. Para a entrada da luz natural, a arquiteta Carina Korman decidiu pela demolição de uma das paredes e a substituição por vidro, que por sua vez recebeu a aplicação de uma película jateada para privacidade.

projeto Korman Arquitetos
O escritório trabalhou elementos para valorizar o imóvel e deixar com o perfil do morador: jovem, moderno e masculino(Foto: @jp.image) .

No quarto, a cama desenhada pelo escritório foi acrescida de gaveteiros para armazenar o enxoval de cama e banho. Ao invés dos tradicionais criados-mudos, gavetas flutuantes contribuíram para um melhor aproveitamento do espaço. Em frente à cama, o móvel preto, igualmente desenhado pela Korman, recebe a televisão e agrega mais espaço para guardar os objetos pessoais do morador.

projeto Korman Arquitetos
O projeto ainda conta com uma área externa diferenciada (Foto: @jp.image) .

No projeto, ainda foi realizado o rebaixamento de nível para construção do piso, pergolado de madeira e uma pequena área gourmet com cooktop e churrasqueira na área externa.

 

Serviço:

Korman Arquitetos
www.kormanarquitetos.com.br

Charles Watson Eild 7  MG 0845 Lucas de Godoy220916 2 - Criatividade é tema de workshop no Porto Digital

Durante os três dias de encontro serão abordados temas como criatividade, trabalho, talento e ética criativa. Fatores culturais, psicológicos, neurocientíficos e históricos, determinantes no desempenho criativo, também serão levados à discussão. Além disso, o workshop também joga luz sobre as novas tecnologias e como elas se relacionam com a inovação e a criatividade.

Charles Watson Eild 7  MG 0845 Lucas de Godoy220916 2 - Criatividade é tema de workshop no Porto Digital

A abrangência de suas experiências tem resultado em palestras únicas, provocativas e às vezes desconcertantes, abordando temas aparentemente tão distintos quanto evolução, sistemas complexos, ecologia, arte contemporânea e esportes radicais, sempre com uma pitada de humor britânico.

As cinco palestras serão escolhidas a partir de um repertório de 11 temas disponíveis – esta escolha será efetuada de acordo com as particularidades da composição de cada grupo. Os exercícios propostos nos encontros abrem caminho para ajudar na construção de ideias, segundo Charles. “Vou dar problemas que deixam muito claro para a pessoa quão limitada ela é em certos tipos de problemáticas, sem poder manipular coisas do mundo”, exemplifica e completa: “Criatividade não pertence a nenhuma disciplina, pertence a gente. Então, levando isso em consideração, uma pessoa pode ser criativa em qualquer que seja a área. Eu já conto com o fato de que as pessoas que vão fazer o curso comigo já estão curiosas sobre a possibilidade de algum tipo de mudança. E talvez uma das questões sobre a criatividade é saber quem é que está disposto a fazer esse tipo de trabalho”.

 

Confira a entrevista com Charles Watson:

O que você entende por Criatividade?

CW- Criatividade envolve a criação de novas ideias que têm algum valor dentro de um contexto específico. Este valor deve ser conferido por alguém além do próprio criador. E para poderem ser conferidas, estas ideias terão que ter algum nível de concretização. Criatividade frequentemente vai envolver alguma surpresa não só para quem cria (“fui eu que fiz isso?!”) mas também para o observador (“por que eu não pensei isso?”). Um ato criativo pode se manifestar em diversos campos de atuação.

Pessoas criativas têm algo em comum?

CW-Acho que sim. Estas pessoas tendem a ter uma relação de paixão com o que fazem, tendem a ser persistentes, curiosas, inteligentes (até um certo ponto), convictas, corajosas e frequentemente possuem um gosto pelo lúdico.

Qual é a importância do talento?

CW-Se o talento é uma predisposição ou facilidade em fazer algo, então não seria suficiente para garantir a criatividade. Pesquisas conduzidas ao longo das últimas décadas sugerem que, se é que o talento existe, não seria suficiente para garantir uma vida criativa. Sabemos que existem crianças bem dotadas, mas curiosamente, é raro que se transformem em adultos que fazem a diferença dentro das suas respectivas áreas de atuação.

Em outras palavras: O que é talento na ausência de paixão, curiosidade intensa, persistência, coragem, grande disposição para o trabalho? O talento sem estes outros fatores provavelmente seria invisível.

É possível ensinar uma pessoa a ser criativa?

CW-Tem um ditado antigo inglês que gosto: “You can take a horse to the water, but you can’t make it drink.” (Você pode levar um cavalo para a água, mas não pode obrigá-lo a beber.) Em outras palavras, é possível ajudar uma pessoa a se conscientizar sobre as armadilhas que ela cria para si mesma ao longo do seu processo, mas a energia que disponibiliza para a sua área de estudo é uma questão que só ela vai resolver. E tem mais, o que você quer dizer com “ensinar”? Não vejo o processo de ensinar, neste contexto, como necessariamente passar informação, e muito menos como preparar alguém para o mercado, mas sim como provocar reflexão para que a pessoa atinja autonomia na sua capacidade de pensar seus próprios problemas… Metacognição.

Você menciona uma regra de 10.000 horas. O que significa?

CW-A chamada “regra de 10.000 horas” vem do trabalho de pesquisadores como K. Anders Ericsson, Michael J. Howe, Jane W. Davidson, John A. Sluboda e outros, que descobriram que é muito raro alguém fazer uma contribuição significativa na sua área de atuação sem ter passado aproximadamente 10 anos ou 10.000 horas envolvido com o seu assunto. Isso é uma estimativa do tempo, em média, que uma pessoa leva para internalizar informações suficientes do seu ramo para poder formular perguntas cruciais. É o tempo para criar conhecimento tacita.

Talvez valha a pena dizer que não acho que este período de 10 anos é modificado pela enxurrada de informações disponibilizadas por novas tecnologias como a da internet. A internet viabilizou sim informações em quantidades sem precedentes, mas não modificou o tempo que em geral é necessário para assimilá-las. Podemos pensar a internet como um imenso receptáculo de possíveis respostas para problemas ainda não formulados.

Como é possível estimular a criatividade?

CW-Em primeiro lugar, a melhor maneira de estimular criatividade é garantir que a pessoa está trabalhando em uma área que traz significado para sua vida. É difícil estimular criatividade numa pessoa cuja relação com que faz é de relutância, obrigação ou de compulsão.

Você acha que o avanço da tecnologia, o surgimento de novos meios que tornam a comunicação cada vez mais rápida e o acesso às informações mais fácil, colabora para a multidisciplinaridade e para o desenvolvimento criativo ou pode ser uma armadilha?

CW-Em primeiro lugar o fato de ter a comunicação mais rápida e uma quantidade estonteante de informação ao nosso dispor, não altera em nada o tempo que leva para uma pessoa processar e assimilar esta informação. Uma outra coisa é que quando se trata de significativos avanços criativos, a quantidade de informação disponível acaba sendo irrelevante se não tiver a existência de um problema formulado para o qual, esta informação pode se tornar pertinente. Se não, acaba sendo um caso de “all dressed up on a Saturday night and nowhere to go” (“todo arrumado num sábado a noite sem ter aonde ir”).

Do ponto de vista da criatividade, toda informação pode ser considerada uma resposta para um problema ainda não formulado. Sem questões bem formuladas, informação é apenas informação. A tecnologia não faz pessoas criativas. Uma pessoa criativa vai ser criativa usando ou não computador, lápis, ou qualquer que seja o instrumento alinhada a sua área de atividade.

A educação formal compromete a criatividade?

CW-Educação formal na maioria dos casos é caracterizada pelo que chamamos de pensamento convergente––respostas certas para problemas bem delineados, penalizando sistematicamente o erro. Ensinando o que pensar ao invés de como pensar. Pensamento convergente é importante porém não suficiente para um dinamismo criativo.

Poder errar no contexto criativo não é apenas recomendado, é uma pré-condição. A única coisa que a ausência de erro comprova é que a pessoa nunca experimentou algo novo, e estou incluindo empresas nesta avaliação.Todo sistema que penaliza o erro é destinado ao fracasso mais cedo ou mais tarde por estar eliminando possíveis respostas para futuros problemas.

Qual a sua visão sobre a educação no Brasil?

CW-Na última vez que fui informado, o Brasil era a 7º economia no mundo e o 54º em termos de investimento em educação. Isso fala por si, não acha? Nenhum sistema que enfatiza acima de tudo a decoreba da informação e provas ainda baseadas em múltipla escolha irá ter muito êxito em desempenho criativo.

Por que a criatividade é tão associada ao mundo da arte?

CW-Arte, talvez seja um dos poucas atividades onde toleramos enormes investimentos de energia em troca de nada. O que eu quero dizer é que, na sua essência, a arte não tem finalidade––que não quer dizer que arte não tem consequências.

É na melhor das hipóteses, uma atividade Autotélica . Isso quer dizer que em princípio é uma atividade que é a sua própria justificativa. É por isso que é associado com criatividade. Agora tendo falado isso, é bom lembrar que os que fazem a diferença nessa área de atuação, são uma minoria, como em qualquer disciplina. A maioria está batendo ponto.

 

Serviço:

Curso Creativity Masterclass com Charles Watson

Local: Laboratório Louco – Porto Digital
Fone: (21) 99288-6476
Email: [email protected]
Endereço: Rua do Apolo, 235, Bairro do Recife – Recife.
Dias: 21 a 23 de setembro
Valor:R$ 550,00

pocket strip 151943 0 full 1346x494 - Sofisticação em projeto de escritório de advocacia

“Um escritório de advocacia tem que passar serenidade, confiabilidade e mostrar sua trajetória de sucesso e tradição. O projeto arquitetônico é essencial para compor esta imagem, combinando elementos modernos e ao mesmo tempo clássicos”, destaca a arquiteta Soraya Surdi.

 Crédito imagens : Marcelo Stammer
Os itens de decoração e arte dividem espaço com livros em nichos distribuídos por todo o escritório (Foto: Marcelo Stammer).

A arquiteta repaginou um escritório de advocacia localizado em uma área nobre de Curitiba, no Paraná. Responsável pelo primeiro projeto do local, realizado em 2014, a profissional optou pelo estilo contemporâneo para a reforma. “O uso de madeira trouxe conforto, aconchego e leveza, enquanto o mármore garantiu imponência e expressa conceitos como confiança e estabilidade”, explica.

 Crédito imagens : Marcelo Stammer
A arquiteta Soraya Surdi criou espaços funcionais e elegantes que transmitem serenidade e confiabilidade ao local (Foto: Marcelo Stammer).

Os itens de decoração e arte dividem espaço com livros em nichos distribuídos por todo o escritório. Os espaços de armazenamento asseguram que todo material de trabalho fique organizado. Espelhos dão amplitude aos ambientes e pergolados de madeira, marca registrada da arquiteta, fazem a ligação do teto com as paredes.

 Crédito imagens : Marcelo Stammer
Aqui a parede verde conecta o ambiente com a natureza (Foto: Marcelo Stammer).

Os espaços foram divididos com foco na funcionalidade. A área do advogado titular e da sala de reuniões é bem setorizada das áreas onde ficam os outros advogados, estagiários e o financeiro. Isso garante privacidade no atendimento aos clientes. “Esta sala ficou muito aconchegante e considero que é um dos destaques deste trabalho. A parede verde, que eu mesma fiz, conecta o ambiente com a natureza, o deixa mais descontraído e cria um visual único”, comenta Soraya.

 Crédito imagens : Marcelo Stammer
Responsável pelo primeiro projeto do local, realizado em 2014, a profissional optou pelo estilo contemporâneo para a reforma (Foto: Marcelo Stammer).

Em relação as cores utilizadas no projeto, ganham destaque os tons neutros, como o preto e o marrom, que garantem sobriedade, seriedade e elegância.

 

Serviço:

Soraya Surdi Arquitetura
Fone: (41) 3015 3579
@sorayasurdiarquitetura

6770932bc220b24604ba71608a72f46b 1024x494 - Praticidade e aconchego em projeto de apartamento em São Paulo

Um apartamento aconchegante e prático era a necessidade dos moradores de um apartamento em São Paulo. Para atender ao pedido, as arquitetas do TRIA Arquitetura, Marina Cardoso de Almeida e Sarah Bonanno integraram a cozinha às salas de jantar e estar, incluíram uma bancada na sala de estar/tv para funcionar como escritório, um lavabo e uma suíte máster que conta com banheiro e uma área para leitura.

Projeto de Arquitetura e Interiores: Tria Arquitetura Fotos: Alessandro Guimarães
As arquitetas integraram diversos ambientes do apartamento ( Foto: Alessandro Guimarães).

Elas buscaram inserir um visual moderno e atemporal, escolhendo acabamentos duráveis em cores neutras. Na cozinha, as arquitetas escolheram uma marcenaria na cor cinza, conferindo modernidade e neutralidade. As marcenarias da área social foram definidas em tons de madeira, assim como o piso, para trazer conforto.

Projeto de Arquitetura e Interiores: Tria Arquitetura Fotos: Alessandro Guimarães
As marcenarias da área social foram definidas em tons de madeira (Foto: Alessandro Guimarães).

Os materiais também foram escolhidos visando garantir conforto e aconchego. Por isso a presença do piso de tauari na área social e íntima, além de uma textura de cimento queimado em um tom quente nas paredes e marcenaria em tons amadeirados. Para conferir praticidade, o porcelanato foi escolhido para a área da cozinha e lavanderia. O revestimento cerâmico utilizado na cozinha e lavanderia foram trazidas para parede lateral da sala de jantar para integrar ainda mais os ambientes.

Projeto de Arquitetura e Interiores: Tria Arquitetura Fotos: Alessandro Guimarães
Conforto e simplicidade no quarto projetado ( Foto: Alessandro Guimarães).

Para a suíte máster foi desenvolvida uma cabeceira que abraça a janela e vai até o chão. Assim, a cortina passa por trás desse painel ripado, trazendo uma iluminação diferente e atribuindo mais conforto à cama.

Projeto de Arquitetura e Interiores: Tria Arquitetura Fotos: Alessandro Guimarães
A opção foi utilizar acabamentos em cores neutras (Foto: Alessandro Guimarães).

Para receber os amigos, a integração da área social foi fundamental neste projeto. Cozinha, sala e escritório aberto estão no mesmo espaço, para que o ambiente ganhasse mais amplitude.

Projeto de Arquitetura e Interiores: Tria Arquitetura Fotos: Alessandro Guimarães
O revestimento cerâmico utilizado na cozinha e lavanderia foram trazidas para parede lateral da sala de jantar para integrar ainda mais os ambientes (Foto: Alessandro Guimarães ).

Logo na entrada, foram usados balizadores de piso para criar uma atmosfera acolhedora. Além disso, a iluminação destaca também o revestimento de pastilhas aplicado nesta parede da entrada.

 

Serviço:

www.triaarquitetura.com.br

Estar Bernadete Corrêa e Manu Lolato CASACOR Minas Foto Jomar Bragança 1346x494 - CASACOR Minas Gerais começa na próxima semana

A CASACOR Minas Gerais está de volta ao casarão histórico que a abrigou no ano passado. Com o tema CASA VIVA, tem como proposta fazer com que o visitante esteja mais próximo da natureza. O objetivo é mostrar como o lar pode ser traduzido em refúgio, lugar especial para celebrar a vida com amigos, familiares e animais de estimação. No total serão 49 ambientes, assinados por 86 profissionais das áreas de arquitetura, design de interiores e paisagismo. Além de explorar essa proximidade com as plantas e animais, nesta edição vários ambientes foram pensados de forma a priorizar o bem-estar dos moradores.

Estar - Bernadete Corrêa e Manu Lolato - CASACOR Minas - Foto Jomar Bragança
A mostra apresentará 49 ambientes, assinados por 86 profissionais das áreas de arquitetura, design de interiores e paisagismo do estado (Foto: Jomar Bragança).

Mas além do tema proposto para 2018, a 24a CASACOR Minas continua investindo na preservação do patrimônio histórico, não apenas pela reabertura do prédio e da ocupação do mesmo, mas também em função da continuidade no processo de recuperação e restauro de uma construção icônica, integrante do conjunto Arquitetônico da Praça da Estação. O casarão, parte do acervo da extinta Rede Ferroviária Federal, a RFFSA, permaneceu fechado por mais de 10 anos e só foi reaberto para a edição passada da mostra, graças à parceria entre CASACOR Minas e Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN/MG.

Living e Biblioteca - Patrícia Hermanny - CASACOR Minas - Foto Jomar Bragança
A CASACOR Minas Gerais está de volta ao casarão histórico que a abrigou no ano passado (Foto: Jomar Bragança).

Profissionais

Para este ano, a CASACOR Minas recebe um time formado por grandes escritórios de arquitetura e uma apurada seleção de novos talentos. Ao reconhecimento, entre outros, de nomes consagrados como Ângela Roldão, Bernadete Corrêa, Beth Nejm, Patrícia Hermanny, Isabela Vecci, Fabíola Constantino, Juliana Vasconcelos, Gislene Lopes e do escritório Arquitetos Associados, formado por Alexandre Brasil, André Luiz Prado, Bruno Santa Cecília, Carlos Alberto Maciel e Paula Zasnicoof Cardos, além de expoentes como Alex Rousset, Ana Vaz, Estela Netto, Luis Fábio Rezende, Rodrigo Aguiar, Leonardo Veloso, Rosângela Brandão Mesquita, João Lucas Pontes, Luís Gustavo Vieira, entre outros.

Soma-se ao time uma nova geração de profissionais comprometidos e muito promissores. Entre eles, Manu Lolato, Sarah James, Felipe Cardoso, Felipe Soares, Júnia Bernanos, Eduardo Brandão Mesquita, Pedro Félix, Thiago Bandeira de Mello, Filipe Pederneiras e Júnior Piacesi. Entre os estreantes desta edição, nomes como Paula Freitas, André França e Rute Zocratto, do Studio Simplí. Complementam o time de estreantes na mostra nomes como Alexandre Rousset, Ana Vaz, Geraldo Ferreira, Leonardo Veloso, Rodrigo Castro, Rodrigo Maakaroun, Júlia Dumont e Tina Barbosa, Janaina Naves, Gilza Carvalho, Marcelo Alvarenga e Juliana Figueiró, além das equipes dos escritórios Arquitetos Associados e Estúdio Base.

Bilheteria - Alexandre Rousset e Ana Vaz - CASACOR Minas - Foto Jomar Bragança
Nesta edição vários ambientes foram pensados de forma a priorizar o bem-estar dos moradores (Foto: Jomar Bragança )

Homenagens

Nesta edição, a CASACOR Minas conta com importantes homenagens a três personagens da cidade. O primeiro é o próprio casarão, onde funcionou a sede da Rede Ferroviária. A mostra ainda conta com um ambiente inteiramente construído em homenagem a um dos mais expressivos arquitetos mineiros, com reconhecimento nacional e internacional, Carlos Alexandre Dumont, mais conhecido como Carico.

Outro homenageado nesta edição é o Grupo Galpão. A principal referência utilizada foi a comédia musical “Um Trem Chamado Desejo”, que teve sua estreia oficial em 2000. Para isso, o vagão, peça icônica do casarão, localizado logo na fachada do edifício, e que foi inteiramente restaurado durante a 23a edição da CASACOR Minas, recebeu uma série de elementos e cenografia especial, incluindo peças e objetos que acompanham o grupo durante a sua trajetória nos palcos. São adornos, luminárias, peças de antiguidade, carpete e o figurino original, que aparece exposto em autênticos manequins dos anos 1930. Alinhava a nostálgica cena teatral, o glamour das cortinas em veludo bordô, arrematada por franjas douradas.

A CASACOR pela cidade

A  CASACOR Minas investe também na apresentação de um ambiente dentro do Pátio Savassi, o Home office Sumisura, que poderá ser visitado simultaneamente ao período da mostra. A intenção é permitir ao visitante a experiência de perceber o quanto pode ser prazeroso e confortável trabalhar dentro da própria casa.

 

Serviço:

A Casa Cor Minas Gerais 2018 acontece entre 07 de agosto e 16 de setembro, no Casarão da Rua Sapucaí, localizado na Rua Sapucaí 383, Bairro Floresta, em Minas Gerais/MG.

Pé Ante pé 1960 Se´rie Brasi´lia Alberto Ferreira 1024x494 - Fotografias inéditas de Alberto Ferreira em exposição na Galeria Lume

Com curadoria de Paulo Kassab Jr., a mostra “Intuição do Instante” homenageia o fotógrafo Alberto Ferreira (1932 – 2007), entre os dias 02 e 29 de agosto, na Galeria Lume, em São Paulo. No total, 15 obras do fotógrafo serão apresentadas ao público. Nove delas inéditas, redescobertas recentemente em seu acervo. “Alberto Ferreira tinha a intuição que faz com que os grandes fotógrafos prevejam os fatos frações de segundos antes de acontecerem. Recortou cada segundo dos lugares por onde passou para tornar cada uma de suas fotografia uma imagem definitiva”, afirma o curador.

Pé Ante pé, 1960  Se´rie Brasi´lia, Alberto Ferreira
A foto Pé Ante pé, 1960 da série Brasília, (Foto:  Alberto Ferreira).

Ferreira encarava a fotografia como estilo de vida.  Na imagem Pé Ante Pé (1960), da série Brasília, trabalhadores fazem uma pausa na construção do que é, hoje, a capital federal. Seus pés, refletidos, repousam sobre as nuvens. Enquanto as lentes de seus pares se voltavam apenas para os prédios e monumentos de uma cidade suntuosa, ele registrava, também, os bastidores nada idílicos dessa construção.

Pedras portuguesas, 1960  Série Brasília, Alberto Ferreira
Operários durante a construção de Brasília (Foto : Pedras portuguesas, 1960 Série Brasília,  de Alberto Ferreira)

Detalhes sobre Alberto Ferreira:

Nascido em 1932 em Campina Grande, na Paraíba, Alberto Ferreira Lima foi um dos precursores da fotografia documental do Brasil. Trabalhou por 30 anos no Jornal do Brasil e cobriu importantes acontecimentos da história do país e do mundo.

Menina, 1960  Série Brasília, Alberto Ferreira
A foto Menina, 1960 que faz parte da série Brasília ( Foto: Alberto Ferreira).

É de sua autoria o maior acervo de fotos da construção e inauguração de Brasília. O fotógrafo é também um dos maiores nomes do fotojornalismo esportivo. Distinguiu-se entre seus pares em eventos esportivos, mas foi notável também em outras áreas, como na cobertura do concurso Miss Universo, em Miami, em 1963 e do funeral de Bob Kennedy, em Washington, em 1968, a seu ver, um dos momentos mais emocionantes de sua carreira.

Festa, 1960, Brasília médio Alberto Ferreira
Festa, 1960, da série Brasília ( Foto: Alberto Ferreira).

Em 2005, Alberto Ferreira foi considerado pela Maisom Européene de la Photographie como um dos 28 maiores fotógrafos do século. Alberto Ferreira faleceu em 2007, deixando para trás um acervo que reúne em torno de 20 mil imagens. Destas, uma porção de materiais inéditos, considerados pelo próprio autor como a verdadeira expressão de sua obra. O material fotográfico está digitalizado e atualmente passa por um trabalho curatorial, para que possa ser apresentado em livros e em outras exposições no Brasil e mundo afora.

 

Serviço:
Intuição do Instante, de Alberto Ferreira
Galeria Lume-Rua Gumercindo Saraiva, 54 – Jardim Europa, São Paulo
Período expositivo: de 3 até 29 de agosto
Visitação: de segunda a sexta-feira, das 10h às 19h | sábados, das 11h às 15h
Contato: (11) 4883-0351

mortalha mutua1 rodrigo braga 2012 baixa 1181x494 - Rodrigo Braga volta ao Recife com nova exposição

“O fotógrafo agricultor ara e planta uma imagem. Toda a minha fotografia é uma criação de mundo”, conta o artista visual Rodrigo Braga, que lança, na próxima quarta-feira (1) para convidados, no Museu do Estado, a mostra “Agricultura da Imagem”, com curadoria de Daniel Rangel. As obras são em formato de fotografia e vídeo. Há sete anos sem expor no Recife, o artista traz uma mostra que circulou nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Fortaleza e foi vista por aproximadamente 220 mil pessoas.

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Há sete anos sem expor no Recife, o artista traz uma mostra que já circulou por diversas cidades do país (Foto: obra Sentinela do Rio/divulgação).

Como se vê na mostra, o processo criativo de Rodrigo Braga se faz justamente através de um jogo no qual o artista não assume o papel de uma mera testemunha do espetáculo da natureza, em um posicionamento relacional romântico que situaria a natureza como um objeto a ser apenas apreciado. Aqui, o sujeito assume o lugar ativo de participante da natureza e o que entra em cena é a relação do ser humano com o espaço no qual ele se encontra. Há uma atividade criativa na relação sujeito-natureza aqui desvelada. “Eu faço intervenções nessa natureza com a minha própria ação e tento evidenciar justamente a mimese que a natureza já faz com ela mesma. O graveto se relaciona com a veia e com os espinhos dos peixes e assim vai”, justifica Rodrigo.

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As relações tensas entre sujeito e natureza e o caráter mimético da própria natureza ganham destaque na exposição (Foto: obra Mortalha mútua/ divulgação).

Em toda obra, sente-se a familiaridade do artista com o meio natural, a água, a terra e os animais. Não é tanto por acaso: Rodrigo Braga nasceu em Manaus próxima à natureza. “A natureza me traz gosto e familiaridade, mas é óbvio que eu sou um ser urbano de grandes cidades e carrego comigo todas as contradições que as pessoas urbanas têm. O meu trabalho não mostra uma paisagem idílica, romântica, irretocável, mas é justamente a minha visão, também urbana, sobre as paisagens que transito”, detalha.

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O processo criativo se faz justamente através de um jogo no qual o artista não assume o papel de uma mera testemunha do espetáculo da natureza (Foto: Ilha Lago/divulgação).

Além da tensão sujeito-natureza, o fotógrafo agricultor também explora na exposição o aspecto mimético próprio da natureza.

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A exposição fica em cartaz até o dia 06 de setembro (Foto: Refugo de Maré Baixa/divulgação).

A mostra também conta com obras mais recentes, criadas pelo artista nos últimos cinco anos em diferentes regiões por onde passou, como Amazônia, Baía de Guanabara, Pernambuco, França e Estados Unidos. Uma das mais recentes, intitulada Mar Interior, foi uma instalação montada em 2016 no Palais de Tokyo, na capital francesa. A exposição aqui no Recife, fica em cartaz até o dia 06 de setembro.

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As obras são em formato de fotografia e vídeo (Foto: a obra Organismos Telúricos).

Sobre o artista:

Nascido em Manaus, Rodrigo Braga se mudou ainda criança para o Recife, onde se graduou em Artes Plásticas pela Universidade Federal de Pernambuco. Atualmente vive no Rio de Janeiro. Expõe com regularidade desde 1999. Em 2012, participou da 30ª Bienal Internacional de São Paulo e, em 2016, realizou uma exposição individual no Palais de Tokyo, em Paris. Em 2009, recebeu o Prêmio Marcantonio Vilaça – Funarte/MinC; em 2010, o Prêmio Marc Ferrez de Fotografia; em 2012, o Prêmio Pipa/MAM-RJ Voto Popular; em 2013, o Prêmio MASP Talento Emergente. Possui obras em acervos particulares e institucionais no Brasil e no exterior, como MAM-SP, MAM-RJ e Maison Européene de La Photographie – Paris.

 

Serviço:
Agricultura da Imagem
Visitação: 02 de agosto a 07 de setembro
Museu do Estado-Av. Rui Barbosa, 960, Graças.
Entrada gratuita