Gilberto Freyre em exposição na Caixa Cultural

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O estudo do passado é, antes de tudo, “uma aventura da sensibilidade, não apenas um esforço de pesquisas pelos arquivos”. Para Freyre, a sensibilidade era tão importante quanto à razão na análise da vida social brasileira. Mas o que pouca gente sabe, é que o mestre de Apipucos cultivou quase que secretamente, durante a vida toda, uma relação íntima com o universo das artes visuais. Gilberto Freyre desenhou, pintou, fez caricaturas, além de estabelecer produtiva parceria com nomes importantes das artes visuais brasileiras, como Cícero Dias, Lula Cardoso Ayres, Luis Jardim, Manoel Bandeira, entre outros. É essa relação que a exposição “Gilberto Freyre: vida, forma e cor” pretende mostrar a partir de amanhã 22, na Caixa Cultural Recife.

Proposta pela Fundação Gilberto Freyre, a exposição não tem o objetivo de atribuir ao autor o título de artista. “Mais do que dizer se Freyre era ou não artista, questão secundária inclusive para ele próprio, que se definia como escritor, o que queremos mostrar é como esse pioneirismo dele de misturar arte e ciência, já identificado em seus textos, foi uma característica duradoura e que se espraiou por toda a produção de Freyre, atingindo o ápice na sua parceria com alguns artistas que ilustraram seu livros”, esclarece Clarissa Diniz, que assina a curadoria da mostra junto com Fernanda Arêas Peixoto, Jamille Barbosa e Leonardo Borges.

Para tanto, a exposição está dividida em quatro módulos. “Mundo de imagens” abre a mostra com a intenção de mostrar a forte presença das imagens na formação de Freyre. Buscará demonstrar como sua vida esteve permeada pelo encontro com expressões imagéticas de vários tipos, seja criando-as ou colecionando-as. Na sequência, “Escritor de formas e cores” busca mostrar como na obra escrita de Freyre é possível entrever as imagens que ele criou ao longo da vida. Telas e desenhos, além de excertos de textos que tratam de alguns dos principais temas de Freyre, como a arquitetura e as relações étnicas-raciais, são algumas das obras mostradas nesta parte da exposição.

Mas é em “Contaminações criativas” que é possível observar como a relação de Freyre com os artistas que ilustraram seus livros foi mais do que “serviços de ilustração”; foram antes diálogos profícuos entre formas sensíveis, entre modos de pensar as questões às quais ele e seus parceiros-artistas estiveram dedicados. O painel de Cícero Dias para a abertura de Casa Grande e Senzala é tomado como um estudo de caso, sendo exibidas as cartas trocadas entre ambos e o desenho de Freyre orienta Cícero na feitura da obra. Além deste caso, as parcerias de Freyre com Lula Cardoso Ayres, Luis Jardim e Manoel Bandeira são mostradas nos livros Assombrações do Recife Velho, Sobrados e Mucambos e Guia Prático, Histórico e Sentimental do Recife.

Por fim, em “Ecos” serão reunidas reflexões de Gilberto Freyre sobre a arte brasileira, com uma linha do tempo com o registro dos encontros do pensamento de Freyre com as artes visuais brasileiras. Neste núcleo estão contemplados também outros artistas que foram objetos da reflexão de Freyre no campo da arte e não apenas os que formaram a parceria demonstrada no núcleo anterior. Assim, Telles Junior e os irmãos Rego Monteiro (Joaquim, Vicente e Fedora) complementam o rol dos artistas com os quais o escritor recifense se relacionou.

Exposição “Gilberto Freyre – vida, forma e cor”
Caixa Cultural Recife, Av. Alfredo Lisboa – 505
De 22 de março a 8 de maio de 2016
Entrada: Gratuita
Horário de visitação: Terça a sábado das 10h às 20h; e domingo das 10h às 17h
Classificação: Livre
Informações: 3425.1915

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