Benedito Abbud sugere novo conceito de calçada para São Paulo

Batizada de calçada viva, a criação do arquiteto paisagista será apresentada durante a Casa Cor

Devolver o caráter humano e social das calçadas à população das cidades e conseqüentemente proteger o pedestre e o meio ambiente. Essa é a proposta do arquiteto paisagista Benedito Abbud ao desenvolver, visando o equilíbrio urbano, um novo conceito de passeio público para São Paulo. A calçada viva, como foi batizada, será apresentada durante a Casa Cor São Paulo 2006, edição comemorativa de 20 anos a ser realizada no Jockey Club São Paulo.

A iniciativa do arquiteto paisagista consiste em propor um novo conceito de revitalização dos passeios públicos, principalmente aqueles que ladeiam grandes extensões de muros e, desse modo, convidar ao convívio em ambientes ao ar livre. É importante notar que, devido a uma crescente preocupação com segurança nos grandes centros urbanos, a tendência é que existam cada vez mais empreendimentos residenciais em terrenos maiores, com mais de uma torre, amplo lazer (praticamente um clube no térreo) e condomínio mais barato. Esses lançamentos imobiliários geram grandes perímetros de muros, que não oferecem muitos acessos e tornam-se "zonas mortas" da cidade.  

A idéia é que o cidadão possa resgatar o hábito de andar na calçada com conforto, praticidade e segurança. A calçada viva surge, assim, com base na integração de sete itens: calçadas verdes, ecológicas, acessíveis, inteligentes, culturais, mobiliadas e saudáveis.

Calçadas verdes

Plantar árvores, arbustos, forração vertical (hera e unha de gato, por exemplo), e grama de forma organizada gera o que o arquiteto paisagista Benedito Abbud denomina de calçada verde. A copa das grandes árvores minimiza a massa construída descontínua da cidade de São Paulo e propicia sombreamento (ambientes mais frescos). Os arbustos e trepadeiras plantados em muros, viadutos e arrimos propiciam uma maior sensação de verde. O conjunto melhora a qualidade ambiental, retendo o calor durante o dia e amortecendo o calor durante a noite. As calçadas verdes contribuem para uma variação de temperatura menor e consequentemente uma população mais saudável.

Calçadas ecológicas

Ser ecologicamente correto não significa única e exclusivamente cuidar da área verde do local. Outras ações são necessárias. No caso da calçada viva, Benedito Abbud propõe o plantio de espécies frutíferas para atração de pássaros e o uso de um piso especialmente desenvolvido com material drenante. Esse piso permite a drenagem das águas pluviais e alimenta o lençol freático.
A cidade de São Paulo possui, segundo a Secretaria da Coordenação das Subprefeituras, um total de 36 milhões de metros quadrados de calçadas. Se o piso drenante for adotado, mesmo em parte dessa área total, o problema recorrente das enchentes de São Paulo será amplamente minimizado.

Calçadas acessíveis  

Pessoas com deficiência ou com dificuldade de locomoção, tais como idosos e gestantes, terão acesso, a partir da rua, a todos os ambientes da Casa Cor. A calçada acessível faz parte do projeto de Benedito Abbud que, em parceria com a Secretaria Especial da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida, atenderá aos padrões internacionais de acessibilidade e à norma NBR9050 elaborada pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). O piso tátil de alerta e direcional; e a rampa de acesso são equipamentos que estão entre as soluções propostas. Esse tratamento especial permitirá entrada, permanência e saída com segurança e autonomia.

Calçadas inteligentes

Atualmente, talvez por não existir um planejamento em conjunto, as concessionárias (companhias fornecedoras de energia, água, telefone, etc.) quebram constantemente o piso das calçadas, resultando em prejuízos estéticos e obstáculos para o passeio (buracos, emendas, caimentos inapropriados). A utilização das calçadas inteligentes, ou técnicas, que, funcionando como uma galeria no subsolo, permitem que as fiações da rede elétrica, telefônica, de TV, fibras óticas, rede de água e esgoto sejam todas embutidas, diminui a poluição visual da cidade.

Além desse benefício para a paisagem urbana, a calçada inteligente proporciona fácil acesso para manutenção das redes sem quebrar ou "remendar" o piso, uma vez que as peças drenantes podem ser retiradas uma a uma e recolocadas com facilidade, sem necessidade de mão de obra especializada. O processo de intervenções no subsolo torna-se mais simples, rápido e seguro, além de proporcionar diminuição da poluição sonora aos transeuntes.

Calçadas culturais

São Paulo é a cidade que possui o maior número de turistas em viagens de negócios e é um pólo cultural de interesse mundial. Reforçar essa imagem com a criação de espaços de convívio cultural e apreciação de obras de arte, e ao mesmo tempo minimizar a poluição visual de peças publicitárias e de marketing, é o objetivo de Abbud ao propor a calçada cultural. Nesse trecho da calçada haverão suportes especialmente desenvolvidos para abrigar exposições itinerantes com reproduções de obras de arte bidimensionais e tridimensionais (quadros e esculturas). Fixar reproduções de obras de arte em tapumes de obra e imprimir sobre telas de proteção de edifícios em construção são soluções que também fazem parte da proposta.

Calçadas Mobiliadas

O mobiliário urbano é fundamental para convidar a população ao convívio e ao passeio nas calçadas. Totens, com design moderno e funcional, trarão informações sobre museus, teatros, cinemas, atrações turísticas e mapas com referências para localização e indicação dos elementos naturais na cidade. A iluminação será estruturada de forma estratégica para ressaltar pontos focais e belos caminhos ao longo do passeio, além de sinalizar e proporcionar segurança no período noturno. Equipamentos como um ponto de ônibus e um totem telefônico serão desenvolvidos com linguagem comum ao todo e, desta forma, trarão harmonia ao conjunto da calçada viva.

Calçadas saudáveis

Dentro da proposta de um novo conceito para o passeio público paulistano não poderiam faltar opções para a prática de esportes e cuidado com o corpo. A calçada saudável oferecerá pista de caminhada com marcação de distância e aparelhos para ginástica e alongamento estrategicamente colocado ao longo da calçada.

O arquiteto paisagista Benedito Abbud lembra, ainda, que a largura da calçada é um fator importante, pois, dependendo de seu tamanho pode ser, ou não, convidativa e agradável ao convívio. Quanto maior for a largura melhor será para a proteção dos pedestres e para a existência de vegetação, favorecendo a paisagem urbana e o conforto visual. Calçadas com largura inferior a 2m não permitem vegetação e obrigam o adensamento de postes de iluminação e de comunicação visual, atrapalhando o caminho de quem passa. Abbud sugere 2,5m como a largura mínima ideal de calçada.

Pesquisas confirmam a necessidade de revitalização e conservação dos passeios públicos

A cidade de São Paulo possui, segundo a Secretaria da Coordenação das Subprefeituras, um total de 30 milhões de metros lineares de calçadas. Uma pesquisa do Ministério das Cidades, efetuada em 437 municípios brasileiros com mais de 60 mil habitantes, aponta que 35% da população se desloca a pé para o trabalho (32% em transporte público, 28% de automóvel, 3% de bicicleta e 2% de moto). Esses números mostram que o passeio público é utilizado diariamente por grande parte da população. Por outro lado, um estudo do Instituto de Pesquisas Econômicas (Ipea), entidade subordinada ao Ministério do Planejamento, aponta que nove entre cada mil paulistanos já caíram na rua por falta total de conservação.

E os números não param por aí. Outro estudo realizado pela associação Brasileira de Defesa do Consumidor, o Pro Teste, e pela Associação Médica Brasileira (AMB) em quatro hospitais da capital mostrou que 30% dos pacientes atendidos nos setores de ortopedia foram vítimas de calçadas mal conservadas. As quedas e tropeços são causadas principalmente por buracos e inclinações.

Apesar da maior participação dos pedestres na circulação viária, o fato é que as calçadas não cumprem seu papel de proteção aos cidadãos que nelas circulam, sem falar nos sérios problemas enfrentados pelos deficientes físicos. Além dos buracos, outros fatores como desníveis e fios expostos, entradas e saídas de carros sem sinalização, falta de itens de segurança como faixas de travessia e passarelas e inexistência de corredores de ônibus na maioria das localidades são outros riscos que o pedestre tem pela frente no seu dia a dia.

CURIOSIDADES 

A área total ocupada pelas calçadas de São Paulo é equivalente a, aproximadamente, 22 Parques do Ibirapuera. O parque possui 1.600.000 de metros quadrados de área total (*).
Um campo de futebol possui uma área de, no máximo, 10.800 metros quadrados (**). A área total de calçadas de São Paulo é equivalente a, aproximadamente, 3.334 campos de futebol.
 
(*) Fonte - site São Paulo 450 anos www.aprenda450anos.com.br

(**) Fonte - site da Fifa www.fifa.com
Tamanho de um campo de futebol
Comprimento:
Comprimento mínimo permitido 90 metros
Comprimento máximo permitido120 metros
Largura:
Largura mínima permitida 45 metros
Largura máxima permitida 90 metros
Área Total máxima - 10.800m²
 
Serviço  
Benedito Abbud na Casa Cor 2006 - edição comemorativa 20 anos
Local do evento - Jockey Club de São Paulo
Duração - 30 de maio a 09 de julho de 2006
Horário - De terça a domingo das 12h00 às 21h00 (bilheteria)
www.casacor.com.br

   


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